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PROTEÇÃO À MULHER

CAAVM conclui terceiro grupo reflexivo de 2026 em Imperatriz

Ao longo do ano, quase 70 homens encaminhados pelo Poder Judiciário participaram dos grupos, que promovem reflexão sobre temas ligados à violência de gênero

Publicado em: 29/10/2026 por LISANDRA OLIVEIRA

Secretaria de Políticas para Mulher

CAAVM conclui terceiro grupo reflexivo de 2026 em Imperatriz

Em agosto de 2026, a Secretaria realizou uma roda de conversa aberta ao público em geral. (Foto: Lisandra Oliveira)

A Prefeitura de Imperatriz, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para a Mulher (SMPM), concluiu, nesta semana, o terceiro grupo reflexivo de 2026, realizado pelo Centro de Atendimento ao Autor de Violência contra a Mulher (CAAVM). Ao longo do ano, 69 autores de violência doméstica e familiar contra a mulher foram encaminhados pelo Poder Judiciário para participar do acompanhamento, dos quais 52 concluíram o ciclo de atividades. Atualmente, os encontros são realizados na faculdade UNINASSAU, nas dependências do Imperial Shopping.

O serviço integra a Rede de Proteção à Mulher e busca promover a responsabilização dos participantes por suas condutas, estimular a reflexão sobre comportamentos violentos e contribuir para a prevenção de novas ocorrências. Antes de ingressarem nos grupos, os encaminhados passam por acolhimento e avaliações com profissionais de psicologia e serviço social. Conforme a necessidade identificada, também podem receber orientação jurídica.

Cada grupo é formado por dez encontros semanais, que abordam temas como violência e comunicação, mitos e verdades sobre a violência doméstica, relações familiares, impactos da violência sobre os filhos e a Lei Maria da Penha.

De acordo com a coordenadora do CAAVM, Cristiane Barata, um dos objetivos do acompanhamento é ajudar os participantes a reconhecer atitudes violentas e compreender as consequências de suas ações. “Eu penso que quando a gente educa um homem, que compreende que ele é um autor de violência, ele vai pensar duas vezes quando ele arranjar um novo relacionamento”, pontua.

Segundo Cristiane, no início do processo, muitos participantes não se reconhecem como autores de violência. Ao final dos encontros, a equipe retoma a questão para avaliar mudanças na percepção sobre o tema. A coordenadora estima que cerca de 90% dos participantes que concluem o ciclo passam a reconhecer essa condição.

A secretária municipal de Políticas para a Mulher, Liana Melo, explica que o trabalho também busca questionar comportamentos que são tratados como normais nas relações domésticas e familiares. “A maior parte deles tem essas atitudes como algo normalizado, algo corriqueiro dentro das relações”, afirmou.

Para Liana, o acompanhamento precisa ser realizado de forma estruturada, com profissionais capacitados e estratégias que contribuam para a prevenção de novas situações de violência. “Não adianta a gente executar aquilo que preconiza a Lei Maria da Penha, que é atender esses autores, se a gente não fizer isso de forma estruturada e com muita eficiência”, afirmou.

A equipe do centro é composta por profissionais de pedagogia, serviço social e psicologia. Durante os encontros, são discutidas alternativas para lidar com conflitos sem recorrer à violência, e os profissionais observam a participação e o envolvimento dos integrantes nas atividades.

A conclusão do ciclo depende de avaliação profissional, que considera a frequência, a participação e os comportamentos observados ao longo do acompanhamento. Faltas sem justificativa podem resultar no desligamento, com comunicação à Vara responsável pelo encaminhamento. Nos casos em que a equipe identifica que o participante não apresenta condições de concluir o processo, a situação pode ser comunicada ao Sistema de Justiça para análise das medidas cabíveis.

Cristiane relata ainda que, nos encontros finais, alguns participantes sugerem que as discussões sejam levadas às escolas, para que crianças e jovens tenham acesso a informações sobre violência e relações saudáveis.

Um dos participantes que concluíram o grupo neste ciclo, identificado nesta matéria pelo nome fictício de João para preservar sua identidade, relatou que as atividades ampliaram sua compreensão sobre os diferentes tipos de violência e sobre a maneira de lidar com opiniões divergentes.

Ele também destacou a troca de experiências com os demais integrantes e a importância de desenvolver a capacidade de ouvir. Segundo João, as reflexões discutidas nos encontros podem ser aplicadas nas relações familiares, no ambiente de trabalho e no convívio social. Para o participante, os aprendizados precisam ultrapassar os encontros do CAAVM e alcançar outras pessoas. “O homem deveria ser mais qualificado para entender que ele também deve demonstrar os seus sentimentos, que ele também deve fazer terapia, que ele também pode chorar”, relatou.

Histórico e próximos grupos

O CAAVM foi inaugurado em novembro de 2021 e teve suas atividades retomadas em 2025. O serviço é regulamentado pela Lei Municipal nº 84/2024 e atua em articulação com o Sistema de Justiça e os demais integrantes da Rede de Proteção à Mulher.

O próximo grupo reflexivo está previsto para janeiro de 2027. Além do acompanhamento de pessoas encaminhadas judicialmente, a Secretaria Municipal de Políticas para a Mulher pretende ampliar o acesso às atividades educativas, com encontros voluntários para pessoas interessadas em refletir sobre comportamentos e relações domésticas e familiares.

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